A ARQUITETURA DE JEAN NOUVEL

A história e as obras do ícone da arquitetura francês.

Domingo, 10 de abril de 2016
Conhecido por suas obras audaciosas e imponentes, Jean Nouvel é um dos principais nomes da arquitetura contemporânea. Nasceu na cidade francesa de Fumel, em 12 de agosto de 1945, e, aos 16 anos, já se interessava pela Arte; estudou na Escola de Belas Artes de Paris, enquanto trabalhava com o famoso modernista Claude Parent. Ousado e à frente do seu tempo, Nouvel sempre procurou formas divergentes do Modernismo, que influenciava os jovens profissionais na época, para orientar seu trabalho. Ícone vivo da arquitetura francesa, Nouvel protagonizou movimentos importantes para a área no país. Em mais de 40 anos de atividade, o francês coleciona prêmios e títulos internacionais por suas importantes obras ao redor do mundo.
Autor de mais de 200 projetos em todo o mundo, Jean Nouvel criou uma linguagem estilística própria, longe de ideias pré-concebidas. Por este motivo, é conhecido por assumir riscos e pela experimentação criativa em seus projetos. Em sua essência, cada obra tem características únicas, porque são concebidas sem quaisquer influências externas e, como ele mesmo costuma dizer, "com a mente limpa".
Os desenhos de Nouvel são conhecidos pela harmonia que estabelecem com o contexto e pela onipresença de transparências, luzes e sombras. “Todos os meus edifícios têm diferentes aspectos em função da hora do dia, do tempo que esteja fazendo, se chove ou se é noite. Para mim há algo de muito poético nessa consciência da eternidade sugerida na fragilidade de um instante”, disse, há algum tempo, em entrevista sobre sua obra. A arte de Nouvel está nas sutilezas: “O jogo sobre uma vibração de luz, ou sobre as mutações de percepção da matéria pela luz, utiliza esses elementos fugazes: gotas de chuva na luz, um resplendor breve, um reflexo”.
Bastante prestigiado por sua obra, Nouvel recebeu muitos prêmios. Entre as láureas mais importantes, o francês ganhou, em 2005, o Aga Khan para a arquitetura, que é outorgado aos principais projetos relacionados ao mundo muçulmano, pela obra do Instituto do Mundo Árabe. Construído em Paris em 1987, o projeto lhe rendeu destaque internacional e muitos elogios, principalmente pelo uso de fachada de vidro para controle da luz interior. Para conseguir um efeito natural, a fachada foi composta por peças quadradas, em metal e vidro; no centro, um diafragma abre e fecha automaticamente segundo a intensidade da luz solar. Além de garantir a iluminação, a técnica desenvolvida por Nouvel deixou os espaços interiores bonitos e originais, com as formas que são projetadas a partir dos diafragmas.
Em 2008, ganhou o Pritzker, considerado o Oscar da Arquitetura, pelo conjunto de sua obra. Na época, o júri enfatizou a responsabilidade de Nouvel, segundo arquiteto francês a receber a condecoração, que ajudou a expandir, significativamente, o vocabulário da arquitetura contemporânea pelo mundo. No mesmo ano, Nouvel venceu o concurso para a construção da torre Signal, no distrito financeiro de La Defense, nos arredores de Paris. O projeto, que deve estar concluído em 2015, derrotou o do inglês Norman Foster, autor da reforma do Parlamento alemão em Berlim, e o do americano Daniel Libeskind, vencedor do projeto de reconstrução do Ground Zero, em Nova York.
Aclamada em todo o mundo, a obra do arquiteto francês tem sido exposta em diferentes museus internacionais, como no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, no Museu de Arte Moderna Exposeum e no Centro de Arte e de Cultura Pompidou de Paris.
Na casa dos 60 anos, Nouvel trabalha num importante projeto, que é o Louvre de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, previsto para ser inaugurado em 2013. A obra, uma cúpula de 180 metros com oito mil metros quadrados de galerias, é a peça central do Distrito Cultural da Ilha Saadiyat, que será o local de maior concentração mundial de institutos culturais.

Fundação Cartier




A fusão com a natureza é a principal característica deste projeto, que estabelece um verdadeiro mimetismo, a partir da presença de árvores e jardins dentro e fora das paredes de vidro. A fachada, em cristal líquido, ganha uma refinada armação em aço que se estende para além das paredes do edifício, cria limites imprecisos e ofusca as fronteiras tangíveis do prédio, como se fossem quatro “asas”. A técnica dá leveza ao monumento emblemático da arquitetura contemporânea de Paris.

Musée du Quai Branly





Construído às margens do Rio Sena, a obra imponente dialoga perfeitamente com a natureza. Rodeado por 15 mil plantas e 178 árvores, o projeto foi concebido para que formas e iluminação enfatizassem a emoção do público que visita o local. Os altos pilares, instalados aleatoriamente, são facilmente confundidos com árvores ou totens. O resultado é um amplo e complexo edifício envidraçado com janelas enormes e 18 mil metros quadrados de jardins, dando a impressão de que o museu é um abrigo construído no meio do bosque.
 
Instituto do Mundo Árabe (Institut du Monde Arabe)




O projeto vencedor da concorrência promovida pelo presidente François Mitterrand, apesar de ser uma construção da arquitetura contemporânea, empregou padrões típicos da arquitetura árabe, como a fachada sul em que a luminosidade do ambiente é controlada por painéis com diafragmas semelhantes aos das máquinas fotográficas. A iluminação, característica principal dos projetos de Nouvel, é destaque na obra que projetou o arquiteto para o mundo. São milhares de orifícios luminosos que levam a luz natural para o ambiente interno do prédio. Situado às margens do Sena, o edifício segue a curva do rio em sua fachada norte, totalmente espelhada, refletindo a cidade de Paris.
 
Galeria Lafayette (de Berlim)




A fachada envidraçada chama atenção na badalada Rua dos Franceses, em Berlim. Nouvel combina superfícies transparentes e translúcidas que se impõem a quem transita por uma das principais vias da capital alemã. No interior, uma enorme redoma de vidro e aço faz alusão à loja de departamentos francesa, que tem uma grande claraboia central. Os dois grandes cones espelhados no espaço central também são objetos de fascínio. A base da arquitetura é uma combinação de geometria e luz, o que permite infinitas variações, associadas ao tempo, à hora do dia, e à natureza das imagens programadas.
 

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