BIBLIOTECA BRASILIANA

O projeto, para a Universidade de São Paulo, foi assinado por Rodrigo Mindlin Loeb.


por Jean Bergerot . 



Para o novo edifício da biblioteca da USP, o arquiteto Roberto Mindlin Loeb e o sócio Eduardo de Almeida inspiraram-se em bibliotecas famosas, como a Beinecke Rare Book & Manuscript Library, da Universidade de Yale (EUA), e a Biblioteca Saint Geneviève, de Paris (França). Os profissionais chegaram a visitar e consultar a Library of Congress (Biblioteca do Congresso), de Washington, para definir diretrizes de conservação das obras.
A construção tem mais  de mais de 20.000 m² e recebeu uma solução horizontal. Para resolver o atendimento de duas instituições diferentes, foram estabelecidas duas alas: a leste, que abriga a Biblioteca Brasiliana, e a oeste, com o material do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e o Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. Para dividi-las, os arquitetos projetaram uma praça coberta e central, com passagem aberta. Tudo com o intuito de fazer com que o prédio fosse aberto ao público.
Uma solução definitiva das fachadas, os brises de chapa de alumínio perfurado dão o efeito do véu transparente à noite e opaco de dia. Eles também protegem o acervo, que precisa ter uma temperatura constante 24 horas por dia e de controle mecânico constante.
Neste trabalho, os profissionais seguiram princípios de conservação de energia e de eficiência.
O concreto aparente foi um deles. Por ser um material que dá inércia, funciona como uma massa térmica que proporciona estabilidade. Outro princípio são as várias camadas de caixas dentro de caixas, estabelecendo uma zona de transição: a biblioteca possui o anel de livros, as paredes de concreto maciço, áreas de circulação e de trabalho, caixilho, vazio entre caixilho e elemento de sombreamento, que são os painéis de alumínio da área externa. Com isso, o edifício consegue ter iluminação natural sem ter a radiação, o que reduz a necessidade de iluminação artificial.
As transições acontecem na vertical também. A laje impermeabilizada de cobertura em concreto recebeu uma treliça metálica com telha dupla e isolamento termoacústico, e lanternim com vidro com filtros UV. Já no vazio central, a luz atravessa um forro de chapa perfurada que ransmite 10% da luminosidade, e os vidros do acervo são antirreflexivos com filtros UV. O Instituto de Elétrica e Eletrônica (IEE) da USP desenvolveu um projeto de geração de energia fotovoltaica na cobertura do edifício. Com potência de 150 kw, deve suprir a demanda do complexo durante o dia.Metal e vidro foram outros materiais com forte presença na biblioteca, assim, as esquadrias de alumínio conferem transparência e leveza ao conjunto.
Percebe-se a influência de vários arquitetos no tipo de construção assinada pela dupla. Dentre eles, é mais evidente o estilo do arquiteto japonês Tadao Ando, pela forma minimalista como o concreto foi trabalhado, assim como os traços objetivos e o acabamento primoroso. Funcional e sem excessos, o projeto foi mobiliado de maneira elegante, com peças de Sérgio Rodrigues, Zalsupin, Carlos Motta e Claudia Moreira Salles.

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