A POESIA ARTÍSTICA DE ROBERT MONTGOMERY

Artista londrino utiliza neons, cartazes e outdoors para espalhar expor seu trabalho.

Terça, 14 de janeiro de 2014
Por mais de uma década, Robert Montgomery troca anúncios de propaganda espalhados por muros, outdoors e pontos de ônibus por poesias ou comentários sobre temas como consumismo, beleza e companheirismo. Marcado pelas letras brancas em caixa alta, o trabalho do artista londrino, como ele mesmo define, “surge de uma tradição poética e melancólica pós-situacionista”.





Apesar de colocar suas mensagens na rua, Montgomery não se considera um street artist. Suas obras, que muitas vezes surgem como insights no meio da noite, quando ele está voltando para casa depois de sair com os amigos, começaram a chamar atenção graças ao Facebook. “Meu trabalho foi para a galeria através da internet. Algumas vezes rascunho duas versões de uma arte e as coloco no Facebook para ver qual ganha mais likes. Depois que decido qual versão será utilizada no final”, explica.



Foi neste meio que a obra do artista ganhou fama e ele não vê nada negativo neste aspecto. Para ele, a poesia no mundo digital é fascinante. “Adoro a ideia de que a tecnologia não é só para ser usada em emails de trabalho, mas também como meio para poesia. Isso me anima muito. Amo poder escrever um pequeno poema e alguém a 2.000 quilômetros de distância ver isso 10 minutos depois”. Em uma era onde tudo é abundante, menos atenção, o trabalho de Montgomery geralmente cheio de verdades atemporais com toques subjetivos não poderia ter chegado em melhor hora.





Inspirado em Jenny Holzer, Lawrence Weiner e Bob Dylan o artista busca aproximar o conceito de arte da poesia e diz-se um artista contemporâneo que segue a tradição da arte conceitual por meio de textos, sejam eles impressos em cartazes ou outdoors, esculpidos em madeira ou em forma de luminosos. “Grande parte do tempo tento falar sobre o que sinto ao viver nas cidades de hoje em dia. É um tema recorrente. Gosto da ideia que nossas cidades têm um inconsciente coletivo e que meu trabalho se conecta a ele. Gostaria que meu trabalho fosse visto como a voz do fantasma de nossas cidades, só que colocado em outdoors”, conceitua.





Nos meses de setembro e outubro de 2013, na Galeria C24, em Nova York, aconteceu a primeira exposição solo de Montgomery. A mostra trouxe instalações que podem ser vistas em espaços públicos de cidades como Berlim, Londres e Paris. Na noite de abertura da exposição, Michael Stipe, considerado por Montgomery como uma “figura mítica”, esteve presente e comprou a primeira sua primeira obra do artista.

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