VITRINES E A DEMOCRATIZAÇÃO DO DESIGN

Angela Borsoi mostra um pouco das vitrines, o teatro das ruas, e apresenta o trabalho de Stéphanie Moisan, a incrível vitrinista parisiense.

Terça, 29 de outubro de 2013
As vitrines exercem um poder magnético sobre nós. Elas captam o nosso olhar, despertam os nossos sentidos com um toque de magia que nos induz ao objeto de desejo. Elas acionam um gatilho de vontades... "São como quadros vivos, instalações artísticas, plataformas culturais, demonstrações tecnológicas que estão em plena renovação", diz a francesa, Stéphanie Moisan.



Stéphanie  criou em 2006 o Le Journal des Vitrines. A designer, cenógrafa, bloguista e uma incrível profissional de vitrines que sempre foi fascinada pelo visual das vitrines, como ela mesma diz: “são quadros de luzes”, são o "teatro das ruas", são essencialmente instalações efêmeras!
Retratando o que ela chama de 'meus golpes do coração’, apresenta no seu jornal um gatilho forte de vontades em tudo aquilo que sente ao perceber o «Stopping Power» (literalmente, significa o 'poder de fazer' com que o transeunte pare, para que possa maravilhar-se. E assim, provoca o desejo de se entrar na loja).



Ela conta com uma imaginação fértil e diz que sempre se pode contar uma estória que nos transporte aos sonhos. Certamente o orçamento tem influência nas escolhas, mas pode-se surpreender com poucos recursos, usando a criatividade...


Nesta vitine, dispúnhamos (eu e sonia lacombe) de pouca verba e nos utilizamos de materiais como blocos de concreto – os cobogós - para a cabeceira, espelhos e o trabalho de um grafiteiro para esta proposta que chamamos: 'dormir e sonhar com os presentes da noite de Natal'. 


Vitrine de Natal da Colchões Atlas, no Casapark, Brasília, por Angela Borsoi + Sonia Lacombe.

Stéphanie fez, entre muitas, a magnífica vitrine da Printemps (loja de departamentos em Paris) com o tema da reciclagem - usou esculturas feitas de cápsulas de garrafas plásticas!

É preciso que uma vitrine possa ser vista de longe, para provocar o desejo de atravessar a rua. A iluminação é fundamental para criar o 'clima' e deve estar orientada em pontos estratégicos, como se faz no teatro, por exemplo!
É preciso revitalizar o comércio varejista. Hoje, é uma arma, uma necessidadee, caso queira se reagir a evolução das vendas na Internet.


Nesta vitrine de uma loja e fábrica de móveis contemporâneos, busquei mostrar alguns lançamentos sobre os holofotes de algo surreal, como as imagens de luz refletindo em tudo: parede, piso, passando pela mesa, luminária e em todo o manequim. Despertando a atenção para o trabalho artístico da artista Míriam Vargas, que foi impresso em diversos materiais!

Mesmo em assuntos estratégicos, existem ainda muitas insígnias que colocam na vitrine simples siluetas. Mas também até as “pequenas” marcas criam uma estória com um cenário, com personagens, trazendo  os transeuntes ao seu próprio universo.  As casas de luxo também têm suas insígnias no mundo inteiro. "De Paris até Pequim, deve se encontrar uma linguagem universal para captar a atenção", diz Stéphanie.


Vitrine Louis Vuitton de Stéphanie Moisan. Hoje, observa-se que o interessante nas vitrines é o fato de não existir um olhar particular. As vitrines não escapam da globalização. O olho do observador está cada vez mais atento às lojas, às exposições, às passarelas no circuito da moda e ao design, que os tornam mais sensíveis.

Por Stéphanie Moisan: Vitrine Lalique. Podemos ver numa vitrine parisiense o que se aplica a espectadores de todos os continentes.

No mesmo momento, olhares diferentes posam-se nelas: estilistas, arquitetos, artistas e cineastas. O Crazy Horse (casa de espetáculos parisiense) apresentou um pequeno espetáculo nas vitrines de Printemps Lingerie. Recentemente em uma vitrine, vimos um 'vídeo interativo' na Repetto (lojas de roupas de alto padrão para dança clássica), e noutra voltamos o olhar em 3D, com óculos distribuídas na rua, nas lojas da Citadium (lojas de moda urbana).
A tendência aponta-nos cada vez mais em direção às vitrines serem instrumentos de plataformas políticas, culturais, instalações artísticas e demonstrações tecnológicas. E aqui no Brasil vemos as mesmas vitrines das grandes grifes, que são  reproduzidas  em todo o mundo.


Por Stéphanie Moisan: Vitrine Parker

Ainda no universo do design, constatamos no varejo que, até hoje, a maior parte dos produtos de design são vendidos com uma grande recarga no custo de produção, às vezes até em torno de 500%. Isso porque entre o produtor e o consumidor final encontramos muitos intermediários, entre os quais agentes de vendas, importadores, vendedores...
É justamente neste processo que a made.com intervém, eliminando todos os intermediários e coligando os designers e produtores diretamente ao consumidor final. O resultado deste processo permite obter um produto com design exclusivo, que não dispensa qualidade, nem o design, a um preço até 70% mais baixo do preço normal de mercado.



Made.com  nasce em 2010 em Londres, no bairro de Notthing Hill, uma das áreas mais criativas e de tendências da capital, graças ao encontro de três apaixonados pelo design: Ning Li, Chloe Macintosh e Julien Callede.


Partindo da tradição e experiência inglesa, a made.com se inspira para mudar as regras do design assim como do design  de interiores, com um único objetivo: tornar o design democraticamente acessível a todos. Com a ideia de nenhum depósito, loja nenhuma, e, principalmente, sem intermediários, os custos desnecessários são eliminados em prol da relação direta entre designer, produtores e clientes.

Outra empresa que não poderia deixar de mencionar aqui é a IKEA Style – Swedish Quality. A pioneira no design democrático estuda agora abrir lojas no Brasil. Ainda não há data para a abertura da primeira loja, mas agora se mostra o interesse da maior empresa do setor de móveis do mundo, presente em 40 países a abrir lojas no mercado brasileiro!




Conhecida por vender móveis com design arrojado a preços baixos, é a mais antiga em seu estilo. Possui uma cadeia de mobiliário com estilo escandinavo moderno e acessórios variados. Os princípios em que baseia sua produção são o preço baixo, a função e a estética moderna. Além disso, são avaliados o impacto ambiental e a possibilidade de usar embalagens planas que tornam fácil a estocagem e o transporte, escolhendo muitas vezes, uma decoração de linhas simples e essenciais, com materiais naturais, renováveis ou reciclados. Através da compra de grandes quantidades de mercadoria, a rede IKEA consegue uma grande redução do preço.



A companhia tem olhado com cada vez mais atenção para os mercados emergentes, especialmente após a bem sucedida experiência na Rússia e na China. Inaugurada em 2000, a filial russa já é a quinta que mais vende no mundo e, atualmente, responde por 6% do faturamento global da Ikea.



Além de todas estas características bastante interessantes, muitos dos produtos são assinados por designers conceituados, mas a preços ao alcance de qualquer um de nós!



Tomara que chegue logo, por aqui!!!
Até a próxima.

COMENTÁRIOS

Lisiane Dutra Cavalcanti Lima 02/11/2013 11h48

Que artigo maravilhoso!

Sonia Lacombe 01/11/2013 14h47

Muito bom o artigo sobre vitrines, que Angela Borsoi escreveu!!!

* Campos obrigatórios. Seu email não será divulgado.