AMSTERDAM PARA TODOS OS GOSTOS

Sete hot points imperdíveis da capital holandesa, que é conhecida por sua inovação, diversidade e abertura cultural.

Quarta, 03 de julho de 2013
Bicicletas, flores, canais, fachadas coloridas. É difícil pensar em Amsterdam de forma diferente. Mas a capital dos Países Baixos revela outras facetas ainda mais atraentes. Liberal, ousada, plural, a cidade esbanja cultura. Afinal, é o lugar da Europa que possui o maior número de museus por metro quadrado! Compacta, arejada, tem ruas arborizadas e incrivelmente limpas. Construções seculares convivem em harmonia com edifícios modernos, o que a torna uma referência em arquitetura e design. De dia, agradável e apropriada para longas caminhadas ou passeios de bicicleta. À noite, a cidade fervilha com seus bares, casas noturnas, teatros, cafés, pubs, restaurantes e outras mil e uma maneiras de entretenimento. Esse é seu jeito de dizer que a vida pode ser muito mais leve do que se imagina e confirma Amsterdam como uma das cidades que melhor sabe receber o turista.

O OBJETO-EDIFÍCIO



No coração da cidade dos canais, das bicicletas, do mercado de flores, das charmosas pontes e das fachadas coloridas, um compacto edifício feito em alumínio, vidro e formas incomuns se destaca na paisagem. A primeira vista, assemelha-se a uma grande escultura que parece estar a ponto de se derreter sobre as águas do rio Oosterdok. Desenhado pelo holandês René van Zuuk - o mesmo que assinou o famoso projeto “A Onda” – em Almere, na Holanda o edifício-objeto foi construído para abrigar o Amsterdam Centre for Architecture (ARCAM), instituição criada em 1986, que oferece um panorama completo sobre a arquitetura de Amsterdam, dos anos 800 até os dias atuais.
O Centro é um ótimo ponto de partida para quem deseja conhecer locais interessantes da cidade e desvendar os segredos que sua arquitetura guarda. Lá estão disponíveis materiais para consultas, como revistas, livros, mapas, recortes de jornais e sites. No ponto de informações eletrônico, o público tem a chance de discutir assuntos atuais, selecionando tópicos de seu interesse, como novidades e projetos desenvolvidos nos campos da arquitetura, urbanismo e paisagismo, entre outros. No Arcam também são realizados workshops, exposições, lançamentos de livros e de produtos, palestras e recepções. De olho na expansão do interesse pela arquitetura e na discussão do futuro da cidade, o Centro mantém parcerias de trabalho com outras instituições, coordenando programas já existentes e implementando novas atividades.

TERRA DE NINGUÉM



Quem já torceu o nariz para aulas de ciência nunca mais será o mesmo depois que desvendar o mundo do NEMO, o maior centro de ciência na Holanda. Ainda do lado de fora, o visitante possivelmente ficará sem fôlego diante do intrigante design do edifício, que se assemelha a um grande navio verde atracado sobre um movimentado túnel rodoviário. O projeto é do arquiteto italiano Renzo Piano – famoso também por projetar o Centro Pompidou, em Paris; o aeroporto Kansai de Osaka, no Japão; e pela reconstrução da Potsdammer Platz, em Berlim.
No NEMO, que significa “ninguém”, você descobre o maravilhoso mundo da ciência e da tecnologia, de uma forma lúdica e divertida. Ao contrário do que ocorre nos museus em todo o mundo, a regra número um do lugar é tocar tudo o que quiser. É impossível ficar imune à sugestão. Lá, o visitante pode tornar-se um cientista e fazer todos os tipos de experimentos em física, química e biologia, viajar através da mente, ou fazer a maior bolha de sabão que alguém já viu e entrar nela! Outra atração imperdível é a Codinome DNA, onde se pode explorar como a hereditariedade funciona e porque os filhos se parecem com seus pais. E o mais interessante: o visitante pode antever como ficará aos 80 anos! Não é irresistível?

LUGAR QUE NÃO DORME





Em Amsterdam existe um lugar que quanto mais tarde, mais animado fica, quanto mais escuro, mais evidente se torna o brilho florescente das luzes vermelhas que escapa de centenas de suas janelas. É o Red Ligth District. Datado do século 14 era para lá que os marinheiros se dirigiam em busca de companhia feminina. A 10 minutos a pé da Estação Central, é uma das mais antigas e bonitas partes da cidade e com ruas cheias de charme por sua arquitetura. Os prédios são altos, estreitos e colados um ao outro, com vista para canais margeados de árvores. O distrito está repleto de cinemas e teatros, hotéis, museus, restaurantes, bares e cafés, lojas e também de sex shops, bordéis, bares gays e, obviamente, das famosas vitrines com mulheres sensualmente vestidas.
Embora seja uma região famosa pelo clima de boemia, o distrito é mais do que uma atração para os milhões de turistas que o visitam anualmente. Área de grande especulação imobiliária, o local abriga consultórios médicos, escritórios de advocacia e inúmeras famílias.
Mais recentemente, o Red Light district também se tornou hotspot para turistas interessados em moda, com a realização do Red Light Fashion, um evento de moda produzido pelo Turning Talent Into Business, no qual 16 talentos da moda holandesa passam dois anos aprendendo tudo sobre produção, marketing, gestão financeira e jurídica.
O Red Light District é constituído por uma comunidade tolerante onde a liberdade é altamente valorizada.

COZINHA DE LUZ





Imagine um lugar onde se pode escolher entre comer em uma deslumbrante sala de jantar, concebida por Piet Boon, completamente banhada pela luz natural, ou em um ambiente perfumado por um jardim de ervas. Ou, ainda, poder comer na mesa do chef em sua aconchegante cozinha. Todas estas experiências só são possíveis no De Kas, um restaurante cercado por canteiros, onde crescem ervas e vegetais mediterrâneos no verão, e vários tipos de alface no inverno.
Há alguns anos, o top chef Gert Jan Hageman, que ganhou uma estrela no haute cuisine holandês do Guia Michelin, encontrou um novo rumo para a sua própria carreira e uma nova finalidade para a antiga estufa que pertencia à Horta Municipal de Amsterdam, uma construção de 1926 que estava prestes a ser demolida. Com a ajuda do município, da família e dos amigos, Hageman conseguiu converter a estufa de vidro de 8 metros de altura em restaurante e horta.
Este oásis, situado no Parque Frankendael, entre a Torre de Rembrandt e as fachadas do século XIX do Watergraafsmeer, recebe cerca de 50 mil clientes, anualmente. Eles são atraídos por uma cozinha onde os chefes são livres para expressar sua criatividade diariamente, usando o melhor que a estação tem a oferecer. A comida é toda preparada usando apenas ingredientes frescos. Além de produtos de sua própria horta, o De Kas compra, todos as dias, produtos frescos de fazendas orgânicas locais.
“Uma cozinha cercada por solo fértil, no qual ervas e vegetais crescem. Onde brilha a luz do sol e os chefes estão livres para criar, utilizando o que de melhor a estação pode oferecer. Parece um conceito óbvio, mas eu passei vinte anos cercado por azulejos brancos e sob iluminação fluorescente, antes de percebê-lo”, afirma Hageman.


MUSEU VAN GOGH, JOVEM E POPULAR



Ao projetar na década de 60 o Museu van Gogh de Amsterdam, Gerrit Rietveld calculou que 60 mil pessoas o visitariam anualmente. No entanto, as previsões do arquiteto estavam longe do que a instituição viria experimentar 25 anos mais tarde. Em 1975, dois anos depois de inaugurado, o museu registrava mais de 1 milhão de visitas anuais e, com isso, sobreveio a necessidade de ser ampliado. Graças à milionária doação da empresa japonesa Yasuda Fire & Marine Insurance Company, uma nova ala de exposições foi construída na década de 90. O projeto foi encomendado a Kisho Kurokawa, arquiteto japonês conhecido pelas formas geométricas e pela simbiose entre princípios filosóficos orientais e ocidentais que norteiam seu trabalho. Para a nova ala do Museu van Gogh, o arquiteto criou um projeto sóbrio, com um prédio em forma de elipse, que se comunica com o edifício de Rietveld por meio de uma passagem subterrânea. O Museu van Gogh é um dos mais proeminentes e populares do mundo. Em nenhum outro lugar é possível contemplar uma coleção tão extensa do artista pós-impressionista holandês Vincent van Gogh. No princípio, logo depois de ser inaugurado, o museu só expunha obras da coleção da família van Gogh, reunidas por Theo, irmão caçula de Vincent, que era marchand e colecionador de arte. Com as aquisições realizadas ao longo dos anos, a instituição se converteu no multifacetado “museu do século 19”, com coleções de diferentes correntes e estilos – como Realismo, Impressionismo e Simbolismo. Na parte antiga do edifício fica exposto o acervo permanente do museu, onde o visitante pode acompanhar a evolução da obra do autor de Os Girassóis ou comparar seus quadros com obras de outros artistas do século 19 que formam parte da coleção. Na ala nova, o museu organiza exposições periódicas com obras de van Gogh pertencentes a outros acervos, ou de artistas cujos trabalhos estão, de alguma forma, relacionados ao do pintor holandês. O Museu van Gogh dispõe, também, de uma biblioteca com mais de 24 mil livros sobre van Gogh e outros artistas do século 19. Para completar, na parte antiga há um delicioso coffee shop, onde se pode apreciar um pouco da gastronomia local ou simplesmente descansar entre uma visita e outra.


UM HOTEL QUE CONTA HISTÓRIAS



É possível que nenhum outro hotel tenha tantas histórias para contar como o Lloyd, em Amsterdam. Situado na zona portuária da cidade, foi erguido em 1921 pela Royal Dutch Lloyd, importante companhia marítima, com a finalidade de receber emigrantes do leste europeu que partiam em busca de uma vida melhor nas Américas. O projeto foi encomendado ao arquiteto holandês Evert Breman. O trabalho decorativo de tijolos aparentes, característico da Escola de Amsterdam, foi usado na construção do edifício de estilo eclético, com elementos art-déco e da renascença.
Na Segunda Guerra Mundial, o hotel foi tomado e transformado em prisão pelos alemães. Em seguida, virou centro de detenção para holandeses colaboracionistas. A partir de 1964, serviu como prisão para jovens delinqüentes. Entre 1988 e 1999, locado para a Spinoza Foundation, tornou-se local de moradia e de trabalho para artistas e, em 2001, entrou para a lista de edifícios e monumentos históricos da cidade.
Há alguns anos, o passado sombrio deste monumento nacional foi definitivamente apagado por várias camadas de tinta e pelas idéias brilhantes de mais de 50 designers holandeses contratados para fazer o Lloyd retomar à sua finalidade original. O resultado deste trabalho é impressionante. Reaberto em 11 de novembro de 2004, o hotel, de 1 a 5 estrelas, conta com 117 apartamentos de tamanhos variados e décor exclusivo. Isso quer dizer que todas as vezes que alguém se hospedar no Lloyd Hotel, possivelmente irá dormir em um quarto diferente. O escritório de arquitetura MVRDV levou ao pé da letra o conceito de transformar o Lloyd Hotel em embaixada cultural, fazendo com que seus hóspedes estrangeiros se aproximem da cultura do país. E com uma receita bem simples: a Embaixada Cultural do hotel organiza exposições, concertos, eventos, performances em espaço aberto ao público, o que faz com que os visitantes se sintam íntimos da cidade.

SUPPERCLUB, ONDE MORA O IMPROVÁVEL



Se, em Amsterdam, você estiver à procura de um restaurante simpático, onde se pode jantar de forma agradável e normal, não vá ao Supperclub. Se busca tranquilidade, então é bom evitar cruzar a porta na obscura Jonge Roelensteeg. Mas, se quer algo novo ou deseja viver uma experiência inesquecível, então o Supperclub é o lugar certo. A chegada ao Supperclub já é inusitada. A rua, muito estreita, e a pequena porta são incapazes de antecipar o ambiente super descolado no qual você estará prestes a mergulhar.
Comer no Supperclub é sempre uma aventura inesquecível. Para começar você pode escolher sentar-se à mesa ou comer recostado, sem sapatos, como na Roma antiga. O cliente é sempre surpreendido por diferentes maneiras de servir. Um dia a carne pode ser apresentada em uma tigela própria para cães ou então o molho vir numa seringa. Que tal retirar suas ostras do corpo de uma mulher nua?
O Supperclub inaugurou o conceito lounge, que se espalhou mundo afora. A agenda é bastante variada: num dia ele pode se transformar em nightclub com jazz, soul, funk ou pop. Noutro toca só digital sound ou heavy metal. Há performances, exposições de arte e de fotografia e shows musicais. O lugar é tão badalado que já tem filiais em São Francisco, Istambul e Singapura.
Liberdade é a chave no Supperclub. Coma, dance, divirta-se, aproveite a noite. Nada é obrigatório. Tudo é possível. Seja você mesmo e tudo pode acontecer! 

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