MAIS FOTOGRAFIA!

Yeda Garcia visita Casa Cor SP e Mostra Black, conta o que mais gostou nas duas mostras e como a importância da fotografia vem aumentando.

Segunda, 24 de junho de 2013
Fato indiscutível: a fotografia está definitivamente integrada no mainstream da arte internacional, e o Brasil se insere nessa realidade, por meio do trabalho de extraordinários fotógrafos como Cristiano Mascaro, Miguel Rio Branco, João Castilho, Vick Muniz, Mario Cravo Neto e tantos outros.
Grande parte da produção desses profissionais compõe hoje o acervo de colecionadores particulares e de instituições culturais. Muito menos, é claro, do que em países do primeiro mundo e do que nós gostaríamos, mas é um avanço para um país sem políticas públicas claras e duradouras na área cultural, como o Brasil.
Minha viagem para ver as duas mostras de decoração mais importantes do Brasil – a MOSTRA BLACK e a CASA COR SÃO PAULO - me causou grandes alegrias. Amante como sou da fotografia, fiquei fascinada ao constatar, nas duas mostras, a presença de fotos ocupando, definitivamente, o patamar das grandes obras de arte.
Roberto Migotto está presente nas duas Mostras, com trabalhos de diferentes linguagens, mas com a mesma qualidade estética que faz dele um dos melhores do Brasil. Na Mostra Black, Migotto apresenta um ambiente cosmopolita, sóbrio, elegante e atemporal. Percorrendo uma palheta de cores que varre as tonalidades de cinza, usa, com maestria, o ousado contraponto das tonalidades de rosa.



Nesse ambiente, destacam-se quatro fotografias de excelente qualidade. Duas delas, do artista Vick Muniz, mostram imagens construídas com pregos e fragmentos de arame. Vick Muniz, em sua obra, utiliza elementos peculiares, revelando que grandes imagens podem ser construídas a partir de elementos do cotidiano. Além de Vick, duas outras fotografias de grande complexidade estética e poética roubam da cena e capturam nossa atenção.
NA CASA COR, Migotto expõem uma casa de praia com cerca de 500m2 e expressa todo seu imenso talento em duas cores: azul e branco. Por meio de uma criteriosa mistura de materiais e padronagens, explora o uso da geometria e surpreende na escolha dos tecidos que revestem móveis de design consagrado – como a poltrona Charles Eames, revestida em lona listrada.



Em todo o ambiente, fotos extraordinárias. Destaca-se o trípitico de Marcos Chaves, montado em metacrilato, intitulado “ MARAVILHA”.
João Armentano e Fernanda Marques, também presentes na Black, marcam presença pela elegância, extrema qualidade das obras de arte expostas (esculturas de Tunga, fotos de Jose Manoel Ballester, etc), e pela assertiva escolha do mobiliário. Ambos compõem seus ambientes com sóbrios tons de cinza.





Fugindo dessa palheta, o SPA da DECA projetado por Sig Bergamin na CASA COR, abusa da mistura dos materiais e das padronagens dos tecidos, sem fugir das cores aquosas. Trabalho maduro, de quem sabe o que faz, não se prende a tendências, não se perde e não se repete. Seu trabalho não é comparável ao de nenhum outro profissional. Suas referências são muito próprias, seu caminho projetual é único, como é única a forma como ele entende a natureza, a origem dos objetos e a permissividade com que os utiliza.
Sig não teme data, nem cor, nem etnia. Liberto de fórmulas e de qualquer combinação que tenda á exclusão, é o testemunho mais concreto de que a coerência pode ser resultado da diversidade. Poder ver e rever seu trabalho é, para mim, um privilégio. Uma grande alegria.

COMENTÁRIOS

Sônia Nobre 04/07/2013 17h28

A fotografia em evidencia, os ambientais harmoniosos e a excelência do artigo de Yeda Garcia comprovam a qualidade da arquitetura no Brasil atual. Yeda reflete nessa matéria o seu profissionalismo e indiscutível valor. Parabéns!

Gui Rodrigues 25/06/2013 17h59

Adorei esses ambientes também!! Yeda arrasou na matéria!!!

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